quarta-feira, maio 06, 2009

- - -

SOBERBA
é preciso ir ao lixo profundo
para elevar-se ao céu
descer na gangorra do mundo
para erguer-se ao infinito.

Antes havia por que dizer olá
Havia tudo que não há mais
E ainda assim esperamos anoitecer
Entre as sobras de nosso querer.

Como pode estar assim
Tudo por um triz
Como se fosse o fim
Ante nosso adormecer?

segunda-feira, outubro 15, 2007



Dias Estranhos
(Artur Ribeiro)

Estou inundado de jazz...
Queria deixar isso pra depois...
Sei que não ouço o que a vida me diz,
Mas ela me fala sempre em alfabetos desiguais...

Como ser feliz sem se encontrar? ...
Então me toque de novo, me faça feliz...
Deixe-me pensar que eu sou tudo nesse momento pra você...

[Depois pode me deixar ao vento das mudanças].
[Coisa tão banal nestes balcãs...]

Porque ser assim tão sem saber?
Se tudo que queria era uma paz
Que precisa nascer em nosso coração...

E mesmo assim ainda penso correr pra você,
Toda vez que me diz adeus,
E cada adeus é uma morte em mim,
Assim,
Assim,
Sem deixar marcas de quem fez...

Estamos sós
Em nós estamos
Sós,
Enfim.

quarta-feira, junho 06, 2007

Letras Theatro de Seraphin


TRISTEZA

(Artur Ribeiro / Marcos Rodrigues)

E10 E4 E7 Bm E10 A C#m7 B B7

E10
Sonhos dormem com a lua
E4
Noite nua Noite nua
Bm E10
Há de ascender-se no véu...
E10 E4
O que vai pela rua feito chuva,
Bm
Feito chuva,
E10
O que vem lá do céu?
E10 E4
Não é Deus Não é nada...
A
Essa tristeza me mata
C#m7
Essa tristeza me pega
B
Quando estou certo
Bm7
Do que vai pelo meu mundo
A C#m7
O teu sonho
O teu vício
B
E tudo o que vai em tua alma
Bm7
Que o meu espírito
Não pode entender
E10
Entender...

Letras Theatro de Seraphin


PASSAPORTE MOURO

(M. Rodrigues)

Am7 A9 Am7/A#

Am7 A9
É preciso raiva e paciência
Bm5/7-/A#
É preciso ler os horários nos jornais
Am7 A9
É preciso alguma vigilância
Bm5/7-/A#
Pra saber dos trens e aviões
Am7 A9
Alguma carta náutica no bolso
Bm5/7-/A#
Aprender a andar nas sombras e porões
Am7 A9
A mudar de bairro e de rosto
Bm5/7-/A#
Entender das nobres traições
Am7 Bm5/7-/A#
É preciso raiva e paciência (2x)
Am7 A9
É preciso realizar em silêncio
Bm5/7-/A#
O que não tem passado nem futuro
Am7 A9
Arrancar um sorriso como grama
Bm5/7-/A#
Espreitar a sorte num canto escuro
Am7 A9
Alguma carta náutica no bolso
Bm5/7-/A#
Aprender a andar nas sombras e porões
Am7 A9
A mudar de bairro e de rosto
Bm5/7-/A#
Entender das nobres traições
Am7 A9 Bm5/7-/A#
É preciso raiva e paciência
Am7 A9 Bm5/7-/A#
É preciso raiva e paciência

Letras Theatro de Seraphin


CÓLERA

(Artur Ribeiro)

(G G7+ G9m C9) (Am7 Bm G)
G7+ G9m C9

G G7+
Não temos idéia
G9m C9
Do que vamos poder
G G7+
O céu tem fronteiras
G9m C9
Que a ilusão nos faz crer
Am
Que um dia a cólera

Vai nos pegar
Bm
E vamos derrubar
G G7+ G9m C9
Tudo de uma vez...
G G7+
Se na rua não vão mais
G9m C9
Pessoas como nós
G G7+
Que palavras teremos
Gm9 B
pra silenciar...
Am
Quem zomba de nossa dor?
Bm
Doce vinho vem reanimar
Gm G7+ Gm9 C9
Esse corpo sem viver
Am
E que a vida venha embriagar
Bm
Essa alma que dança
Gm G7+ Gm9 C9
no salão tão só.

Letras Theatro de Seraphin


12 x 8

(Artur Ribeiro)

(Dm Cº) (Dm7 Bb7+) (Dm7 Cº)

Dm
Se não vamos mais falar

Que seja pra dizer
Dm7 Bb7+
O que o tempo nos deixou saber.
Dm
Deixou saber quem vem...

Quem vai...
Dm7
E se depois das seis
Bb7+
Vai ter outro alguém...
Dm7
Não vou sorrir,

Sem te chamar,
Dm7
Pra ver o mundo,

Como eu vi,
Dm7
Se nem você,

Pode imaginar
Bb7+
um sol sem luz...

Letras Theatro de Seraphin


SOMBRAS CHINESAS

(Marcos Rodrigues)

Em E4
Um ar contido que precede o grito
C9
Arrancar de minha boca fechada
C9
As palavras que não valem mais nada
Em E4
Fatalidade embriagada e mágica,
C9
Como sombras na parede do quarto,
C9
Como gatos à noite nos telhados...
C#9
Derramando vinho barato na cama,
B9
Sob a luz de uma fogueira de cartas.
Em E4
Pra construir com fumaça um templo
C9
E tornar cada segundo sagrado
C9
E orar por cada beijo roubado
Em E4
E enxergar com meus olhos vermelhos,
C9
Vendo as sombras na parede do quarto
C9
Destruindo a tirania do tempo...

Letras Theatro de Seraphin


SÚBITO

(Artur Ribeiro)


C Em C A9 (C Em) Am7 Am / C7/9m


C Em
Nem bem amanhecia eu já tão morto,
C A9
Nem bem me despertavam eu já tão lúcido,
C Em
Nem bem te conhecia você já indo embora,
C A9
Nem bem intimidade, e já somos dois estranhos...

C (7º casa)
Súbito me vi
Em (7º casa)
rodeado de agonias.
C (7º casa) Em (7º casa)
Ali, nas horas mortas que antecedem o fim do dia.
C (7º casa) Em (7º casa)
No centro de minh’alma amordaçada na tristeza,
C (7º casa) Em (7º casa)
No centro de meu ser refugiado no
Am7/9
desespero...

Letras Theatro de Seraphin


DORALICE

(Marcos Rodrigues)

(C A9 G) (Em G) (Am D7 Aº Em)

Em G
Hoje o dia se pintou de chumbo
Em
O peito a lhe sufocar
G
O sol que sempre alegra tua sala
Am A7
Só veio aos teus olhos pra te ofuscar...
Em G
Ruas tão cheias de gente vazia,
Em
Na multidão tentar se encontrar.
G
Quem sabe até poder dizer: “Bom dia!”.
Am A7
Mas solidão vem te cumprimentar...
Am
Voltar pra casa e sentar ao lado,
D7
Do telefone que não vai tocar,
Aº Em
Minutos que se arrastam como dias...
Am
Só há lembranças como companhia,
D7
Quem sabe até você pode chorar,
Aº Em
E a noite quente então se torna fria...

C A9
Ela abre a janela,
G
mas Doralice não sabe voar...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Depois que o sonho acordar...




É,
Agora é que eu te quero ver
Saber de onde vem o teu suor
Se é da alma ou das canções
Se é de terra ou se é de mar
Se vai permanecer até o fim
Depois que o sonho
acordar
É

Você não brilha mais na escuridão
E tantos outros dias são assim
Ter o tempo todo pra querer
E quase nenhum tempo pra sorrir
O riso que você roubou de mim
Depois que este sonho teve um fim...
É,
Saber não é saber quem percebeu
Chegar aonde ninguém mais chegou
Depois deitar à sombra do amanhã
Os olhos mareados de amor
E tudo voltará ser dia enfim
Depois que o sonho acordar

Mas são sagrados
Todos os pecados
Todas as angustias
As injustiças

E são sagrados
Todos os teus lábios
Todos s teus beijos
E Tuas armadilhas...

sábado, dezembro 09, 2006

As Estrelas

*

Se não houver uma forma
de deixar a dor se ir,
e ser lembrança mesmo que eu não venha entender....
mesmo que você não queira ouvir
o som que vem do amanhã,
- ainda assim seremos -
hoje em mim...

Tudo que o tempo apagou
tudo que deixou de resumir
nessa vida ainda estamos nós aqui...

Amor se vai voltar
então está chegando a hora
se tem algo pra dizer
diga antes que a noite caia...

antes que o barco deixe o cais
antes que as estrelas
sejam nós...

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Lágrima Gris

Não vou falar sem me deixar enlouquecer
Queria ter um jeito de tirar você de mim
Agora é tarde pra tentar
dizer o que a voz não tem
e mesmo assim a mente vem nos lembrar...

Não vou querer te ver nos braços de outro alguém
A dor que há só de saber - destrói meu lado bom.
E o tempo vai - passando em nós
e os dias são - laços reais
que vão nos amarrar ao velho cais...

Assim
Enfim
deixar a vida ir
Quem sabe ela chega...

Ali
No céu
Melhor pra se deitar
Pensar no amanhã que flora...

Eu fui fiel aos sonhos tolos – todos.
Castelos que em névoa - desmancharam-se ao sol...
Assim como os dias são
de âmbar e de fel
Também são as luas no caminho para o rio...

Eu tive tantos planos e coragem pra tentar
Ainda agora estou aqui vendo a maré descer
Mas foram tantas coisas
que levaram o futuro
Com lágrimas gris
e lábios de outonos...

Assim
Em mim
Lembranças de um lugar
Que a noite vai levar...

Ali
No céu
Melhor pra se deitar
Pensar no amanhã que flora...

 

terça-feira, março 28, 2006

Theatro de Seraphin

Estamos com as bases quase prontas, já gravadas: bateria, baixo e guitarras.
O processo é complicado, demora, faz e refaz um monte de coisas em pouco tempo, pois tempo é dinheiro, e sempre que chego ao estúdio me dá um sono monstro, desses em que eu quero só ficar deitado no sofá vendo o pessoal gravar e ouvindo o som na altura máxima!
Ok, já, já teremos na mão este doloroso e bem vindo Cd da banda, com todas as músicas (ou quase todas) que tocamos este último ano. E uma composição nova, que partiu de Candinho, pra fechar este primeiro degrau.
E veja bem: apostamos muito em nossa competência e talento, sem modéstia nenhuma que não somos mais meninos, este degrau de alguma forma, vai ser pra cima!
Conto com a opinião das pessoas, dos amigos, opiniões doídas ou não, tudo vai ser reprocessado e retornará, de uma forma ou de outra, de onde veio.
Sem mais, aguardo por vcs no próximo sinal.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Novas engrenagens

Achei que pudesse estar presente no Blog ao menos uma vez por semana e descubro que planejamentos são sempre facas de dois espelhos.
Não pude estar aqui com regularidade mas estarei fazendo comentários esporádicos sempre que houver tempo.
Boa notícia para fãs da banda:
Gravamos 14 faixas do Cd, apenas bateria, e posto aqui cada passo que dermos rumo a finalização que, segundo diz a lenda, é lá pra final de abril.
Segue aqui a lista de músicas que farão parte do CD Theatro de Sèraphin:

12x8
Sombras Chinesas
Cólera
O Mágico de Oz
Dionísio
Tristeza
Este Momento
Súbito
Arqueiro Cego
Na Rota Das Estrelas Cadentes
Doralice
Solidão dos Campos
Tempestades Risonhas

...e pra finalizar, uma música nova que será ouvida apenas no CD!

[além é claro de um bonus track]

Até Breve!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

trígono


um beijo pequeno
doce em suspiro
profundo e leve
nota dissonante na vertigem
dos colapsos
abraço
de elefantes.
cosi


quis o tempo sobre a pele
o sol na língua seca
quis a dor nos dedos breves
entre frestas violetas
rubra dor nos alicerces
pés descalços de soberba
desconheço a dor das formigas
só conheço a magia das abelhas.
quis o tempo em laços de névoa
prender os braços ao cais do porto
como prender a alma a seu corpo
[nem a vida pode tanto]
passatempo de vertigem
é precipício e desencanto.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Gen

No início não havia o verbo. Formigas e cordões. ..........
Uma braça uma légua um pedaço. Não havia um destino.
A poeira dançava no ar e o fogo era a vida. Do calor das chamas nascia a angústia, a dor.
Rios de lava.
Criptas incandescentes brilhavam rubras e brilhantes. Pedras soerguiam das profundezas do oceano vermelho e abraçavam a areia abstrata. Minúsculos grãos de vermes cronometrados estremeciam abraçados uns aos outros em vida efêmera. Como um caldo de lama. Uma sopa cósmica de verões e primaveras. Não existia o olhar e o sorriso. Ventos aquecidos sopravam o etéreo. O som era apenas uma palavra em um dicionário que não existia.

O início era um vulcão nas ondas de calor e chamas. Não havia o concreto. A síntese. Não pairava sobre a escuridão uma forma. No início não havia trigonometria. Não haviam ângulos. Não havia o ávaro, nem o desprezo.
As asas da borboleta não tinham cor, não existiam. Não se saía à noite em busca de lugares. Em busca de amor. Não havia álcool. Ninguém, pois não havia, buscava o calor dos abraços. Não havia o beijo. A dança. Não haviam carros: nem voadores, nem transparentes, nem teleportes, nem mágica. O sabor era algo que não havia. Ou sapatos. As pessoas não se irritavam, não sofriam com a certeza da morte, pois não havia...as pessoas. O pensamento não se fazia pois não existia pensamento onde coubesse. A imagem não retratava e se guardava, pois ela era apenas uma possibilidade. Sóis e mais sóis e mais luz era tudo que havia. Em meio a nuvens e gas e corredeiras de tormentos, solidão e mais tudo o que era possível existir sem nunca o ser... existia.

No início era tudo muito simples, das formas simples: dos sabores amargos e doces: todos muito simples, sem mistérios ou adornos ou complexidades tais que a própria explicação perderia o sentido. Olhos não se abriam iludidos e turvos para aquelas manhãs que agora eram sonho. Sonho sonhado com as angústias e desalentos das tormentas repentinas. Não havia esperança sintética, planejamento geométrico, visão horizontina, conduta correta. Não havia forma que não se transformasse, fogo que não fosse azul, noite que não fosse fria.

Não havia cor.

De repente tudo era muito branco, palavra que não existia. Congelado no frio do abandono, às intempéries dos ventos mundanos, que rodopiavam acima do que não existia. Do nada que não brotava, das gotas sobre as folhas que não derretiam.... e não pingavam sobre o que não havia de duro. O branco era absoluto e de tão branco não existia. O frio dos redemoinhos que giravam em danças, em bailes, em sinônimos de liturgia, e que se desesperavam, se contorciam, esvaeciam em doces murmúrios de início... porém, na dor dos começos alquebrados, distantes doiam e choravam, choro que não havia pois não havia lágrima.
Ainda assim havia a hera. Havia a trama, o laço, a orgia. O apêndice lua quase já havia. Um calo, uma montanha, um carrosel-montanha russa,... algo que se precipita. Então corriam o tempo e a idéia; tempo que feito sombra existe e não habita; e a imagem que supervicia. Ainda assim o verbo, palavra neonatal, isso que apenas tangecia, ...não supre agora o desespero das palavras que não tinham. Pois que ali no fundo do futuro, oculto entre os brilhos do escuro, pequeno como um suspiro obtuso, os vermes se uníssonos se uniram.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

tempestades

frutas podres

...se você não sair de mim eu tiro você daí...
...se você não parar de sorrir eu tiro você de mim...
...se você não parar de dançar eu derrubo essas paredes...
...pra um céu cinza entrar por dentro de você...

...se você não parar de me olhar...
...se você não parar de me olhar...
...eu deito sob a luz de um cabaré...
...pra você nunca mais me ver...

...se você não sair de mim eu corto o sexo sem dor...
...se você não parar de andar em mim eu cuspo no teu amor...
...se você não parar de me chamar eu vou fundir o pensamento...
...se você não me deixar dormir vou gritar até morrer...

...se você não parar de me olhar...
...se você não parar de me olhar...
...eu deixo você e são apenas frutas podres...
...que eu te dou pra saborear dia e noite em mim...